Menopausa: O Fogo Sagrado
São João del Rei - MG, 03 de Abril de 2022
Mulher,
Nem sei se sou eu quem te escreve ou se é aquela velha sábia que nos habita a todas. A velha alma, a borboleta. Fato é que nunca, como coletivo, chegamos tão longe. A menopausa - privilégio de poucas até algumas décadas - agora é para todas. E todas - ou quase - estão pensando que a vida acabou ou que estão enlouquecendo. Há mulheres, acredite, que pensam que é um problema de saúde.
Há pouca informação disponível e a maioria trata da medicalização da menopausa. Nada de errado, mas é muito redutor do fenômeno. Vamos aos fatos?
Olha só, até os anos 60 a expectativa média da mulher brasileira era de 45 anos. Uma mulher de 42 era uma velhinha. Claro que umas poucas, talvez suas ancestrais, as minhas certamente, chegavam a idade mais avançada. Eram quase milagres da natureza. Elas sabiam o que era a menopausa e ninguém além delas se interessava por que era um número estatisticamente irrelevante da população feminina que chegava a esta idade.
Logo, a perda da vitalidade, perda da libido e os fogachos eram naturalizados como consequências da idade avançada.
Podemos dizer que até pouco tempo atrás, a vida da mulher tinha 3 fases: infância, adolescência e idade adulta.
Pela primeira vez na história da humanidade temos a chance - como coletividade - de viver mais 35 anos além dos 50 já vividos. E o envelhecimento, acredite, é feminino. Ou seja, temos uma vida inteira pela frente [!!].
Agora, temos a oportunidade de ir além. De seguir palmilhando a Terra passo a passo em direção à inteireza e faz parte dessa conquista lidar com o envelhecimento do corpo e com a menopausa.
Depois dos 50 anos a crise se instala na vida das mulheres. Faz parte do rol de sintomas na perimenopausa o mau humor, a irritabilidade, a depressão e a ansiedade, entre outros. Tanto estes sintomas como outros nos levam, mulher, a não nos reconhecermos mais. É como se tivéssemos sido abduzidas e passamos a questionar tudo na vida. Parece que o casamento está péssimo, o trabalho já não serve mais, parece que tudo precisa mudar - e logo!
A oscilação das emoções é a única coisa constante para 75% das mulheres afetadas pela menopausa. Acredite, para 25% das mulheres essa carta não faz o menor sentido. Elas não sentem assim. E daí vem a pergunta: Por que a redução na produção do estradiol não afeta da mesma forma 25% das mulheres?
A ideia da menopausa como a conhecemos - ''um problema'' - foi construída lá nos idos de 1966 por um pesquisador estadunidense que em seu livro . Eu diria - e direi - que há um caminho para o equilíbrio emocional que não necessariamente passa pela medicalização, embora eu particularmente não seja contra [nem a favor] a terapia de reposição hormonal com princípios bioidênticos.
No final fica a reflexão importante sobre tempo e movimento na vida de cada mulher depois dos 40 anos de idade. O tempo passa, entramos no ultimo quartil de tempo e esse tempo é muito maior que a maior parte de nossas ancestrais. Que movimentos faremos para que daqui em diante a mulher no climatério, na menopausa e pós menopausa tenha mais qualidade de vida e possa ter a liberdade de viver do seu jeito?
Mulher, acredite! Somos pioneiras, nós abrimos os caminhos para as mulheres que virão logo atrás de nós. Somos as primeiras, não seremos as últimas. E como primeiras temos a honra e a responsabilidade de abrir os caminhos, encontrar as fendas na travessia para que a jornada seja mais clara, leve e equilibrada para todas as mulheres. Quando uma mulher se cura [sentido de cuidar], ela cura um sistema inteiro e isso significa contribuir para a cura do planeta a partir de seu próprio lugar.
Lembre-se! Esta semana farei lives sobre cada um dos pontos desta carta no meu perfil do Instagram. Vamos juntas que te explico tudo lá.
Com Amor,
Maria Cláudia Cabral | Aika
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