Vida é movimento antes, durante e depois dos 50 anos
São João del Rei-MG, 06 de Junho de 2022
Mulher,
Vida é movimento. [repete comigo] Vida é movimento. Mesmo que você não note, tudo está em movimento. E o movimento em direção a mais vida é adiante. Ele não acontece no retrovisor. Enquanto faço mais uma volta no parafuso, sigo adiante nessa nova etapa da vida depois dos 50 anos. Como quero contribuir nos próximos anos? Como posso contribuir para que mais mulheres de 40, 50, 60, 70 anos e mais sigam partilhando no mundo sua sabedoria, sem medo da solidão? Como lido eu com o envelhecimento e a solidão? Pensar sobre isso é olhar o retrovisor e perceber detalhes importantes da vida vivida até aqui. Prepara que lá vem história.
Em 2010, depois de uma depressão profunda [naquela época ainda não se usava o termo burnout], iniciei uma grande virada na vida. Uma advogada, especialista em direito público e políticas públicas, à serviço de um país melhor inicia sua jornada de transição.
Sete anos depois concluía o ciclo, iniciando uma nova vida, mudei para uma cidade pequena, iniciando uma nova profissão, experimentando os desafios de um estilo de vida completamente diferente do que estive acostumada. All by myself.
Mais rápido do que pude imaginar estava bem posicionada profissionalmente, a ponto de receber em meu espaço terapêutico no interior clientes vindas de cidades vizinhas, próximas e distantes até 200km e até da capital do estado [Belo Horizonte]. O novo ciclo começou com força e suavidade e finalmente me tornava quem sempre fui: Terapeuta.
Por que estou te confidenciando isso aqui?
Por que viver pede de nós, além de coragem, clareza, leveza e equilíbrio emocional. Fazer uma virada é um ato solitário e este é um desafio extra. Solitário porque cada escolha e cada decisão só podem ser tomadas por você e as consequências serão sempre suas, de mais ninguém.
Por que a vida segue em movimento e a ideia de uma casa colonial numa cidadezinha histórica das Minas, com uma rotina calma começou a se transformar em outra coisa. Por que ainda há tanta vida pela frente e não queremos nos acomodar numa poltrona vendo Netflix aos domingos.
E porque agora sabemos que a vida não é fotografia e o retrato nos limita a um instante. Congela o momento e logo aquilo que ali se vê se desfaz e a imagem registrada se desmancha. O que a lente capturou já não é.
A vida é série. Cada dia um episódio diferente. Cada episódio prepara o caminho para a realização dos próximos e é preciso estar atentas ao fio condutor do roteiro de modo que a cada plot twist você possa seguir adiante em lugar de andar para trás.
Existe um saber que se adquire no caminhar de quem viveu muitas reviravoltas e mudanças de rumo, uma sabedoria que é construída a cada volta da espiral da vida. Chamo estas voltas de a volta do parafuso inspirada pelo livro de Henri James. E enquanto faço mais uma volta no parafuso, me pergunto, como seguir adiante a partir daqui?
A resposta, mulheres, anotem: Está contida no seu Guia para Viver em Plenitude. Saber a direção a seguir, compreender quem você realmente é, o olhar que tem sobre os aspectos que sustentam sua jornada - vida (saúde integral, conexão espiritual, mente vívida), relações (pais, filhos, casal e amigos) e mundo (trabalho, dinheiro e estilo de vida) e como vê os próximos episódios em cada um destes aspectos é o que me guia por aqui. O que te guia por aí?
Mas isso não basta, quando a solidão bate na porta - e para muitas mulheres a solidão está à espreita. Todos os dias recebo perguntas de mulheres sobre ''como lidar com a solidão''. E aqui temos um alerta importante! A travessia da vida é solitária, as viradas são solitárias, mas isso não significa solidão.
O medo da solidão é fruto de uma árvore envenenada, cujas raízes muito antigas relegaram as mulheres ao lugar de gerar filhos e cuidar dos maridos, eternamente culpadas pelos humanos terem perdido o Jardim do Éden. E mesmo que tenhamos alcançado uma existência superiormente interessante ao longo dos últimos séculos, foi com muita luta, sacrifício e jornadas duplas e até triplas de trabalho. Não à toa, nos sentimos exaustas e à beira da aposentadoria algumas de nós se sentem perdidas, inseguras e, com medo da solidão. Afinal, quem vai querer uma mulher ''velha''?
Solidão sente quem se perdeu de si na caminhada. Quem sobreviveu, como pôde, agradando e atendendo expectativas, correndo para provar que é suficientemente bonita, inteligente, competente... [complete a lacuna] a todo custo. Quem cresceu sob a ameaça de não ser amada se desobedecesse as regras - feche as pernas, seja obediente, seja dócil, seja bondosa. O castigo? Não encontrar um marido, não manter um marido, acabar sozinha.
Acabar sozinha é portanto o castigo máximo da mulher desobediente dos estandartes sociais. Aquela que faz a caminhada de si mesma, que sabe o que quer e se não sabe ainda, se está perdida, confusa ou sem rumo, está em busca. É a punição para a mulher que conhece, reconhece e põe seus limites com clareza. É uma sentença condenatória para todas aquelas que mesmo atendendo às expectativas e agradando a todos se aprisionou num silêncio auto imposto que a impede de [se]expressar no mundo, do seu jeito.
No meu retrovisor avisto uma estrada em que muitas vezes me perdi para me encontrar e a cada volta do parafuso me recolhi para expandir, ressignificando a caminhada. E hoje...
Hoje, mulheres, estou aqui a tomar decisões ousadas, que estão a me exigir coragem. Traçando novos rumos para a meu velho sonho: Acompanhar mulheres na jornada de liberdade para viver uma vida nova, do seu jeito, livres do medo da solidão depois dos 50 anos. Fiz isso no consultório terapêutico, fiz isso com a psicoeducação nos cursos online durante a pandemia e agora... Um novo começo. Vamos juntas?
Ter acesso a todas as novidades desta nova jornada e participar ativamente da caminhada é aqui...
Vamos juntas que te mostro o caminho que escolhi...
Com Amor,
Maria Cláudia Cabral | Aika

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