Escolhas e Decisões
Extrema/MG, 18 de Março 2022
Mulher,
Eu to na estrada, voltando para as Minas a caminho do meu lar. Eu não podia deixar de partilhar com você o que tenho percebido nesses dias que tenho estado fora do ninho.
Uma amiga me disse certa vez que sou passarinho voo longe e volto para o ninho. Descobri que o ninho é meu refúgio, meu amparo e por isso, não é sobre casa. É sobre lar e sobre escolhas.
Escolher é optar. E eu optei depois de muitos anos vivendo nômade - mudanças a cada 2 anos - assentar praça em São João del Rei - MG, com ânimo de permanência.
Acredito que a vida é impermanência. No entanto, viver se mudando é como caminhar sobre um carrossel em movimento. Todas as impermanências acontecendo simultaneamente o tempo todo.
Escolher é dar preferência e nos últimos anos dei preferência a permanecer num dado território, numa casa específica. Meu lar teve lugar.
Por que estou te contando isso? A verdade é que a vida tem seus ciclos e às vezes tudo é tão corrido que você, mulher, não pára para perceber que tudo muda e busca sem parar uma estabilidade que não existe. Corre atrás de uma imagem de fotografia e uma vida em que tudo dá certo todo dia. Opa! É, eu sei, a esta altura da vida já sabemos todas que isso não existe. Mas uma parte de nós - a criança - ainda quer que tudo seja perfeito. E para isso, você faz tudo - tudo mesmo - para que nada dê errado.
Se te dizem que você tem que ser boa, generosa e disponível, você se coloca neste lugar de ser boa, generosa, disponível, cuidar de todos e - sobretudo - dizer sim para tudo.
Enquanto você atende às expectativas, o mundo segue dando voltas, impermanente como ele só. E a criança que mora aí dentro até hoje, espera o final do dia - porque ela se comportou tão bem e fez tudo certo - para receber suas estrelas douradas no boletim [reconhecimento].
Acontece que nem sempre vem. Aliás, diria que quase nunca vem. Não para a criança. E a vida segue girando.
De repente, um dia você se dá conta de que toda aquela corrida por perfeição e espera por reconhecimento não fazem sentido. Olha em volta e percebe que já passou dos 40 anos, quiçá já passou dos 50 anos e a sensação de TER QUE correr atras, fazer, fazer, realizar, ser boa, generosa e disponível não traz o reconhecimento esperado.
Sabe por que?
Por que quem não teve reconhecimento, jamais terá. E você, mulher adulta recebe reconhecimento e não vê. Mal reconhece o reconhecimento que recebe, porque o passado não pode ser modificado. O tempo passou e uma parte sua ficou presa lá atrás e por causa disso, você está tendo uma vida que você não quer ter ou nunca quis.
O tempo passou e você seguiu vivendo a vida para atender aquelas expectativas - do seu pai, da sua mãe ou...
Acontece que esse tempo não volta mais. E a boa notícia é que a vida que você tem pela frente nunca foi tanta. Vivemos 35 a mais que nossas ancestrais. 35 ANOS!
O que você vai escolher fazer com essa vida nova que você tem pela frente?
Vai permanecer na vida que nunca qui ou que não quer mais ou vai criar uma vida nova do seu jeito?
Se você quer criar uma vida nova do seu jeito, fica ligada que quarta-feira é dia de vídeo novo no canal do youtube.
Com Amor,
Maria Cláudia Cabral |Aika
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