Mulher depois dos 50 anos está desconectada?
São João del Rey - MG, 27 de Março 2022
Mulher,
Acordei pensando sobre o quanto estamos desconectadas. Sabe quando você sente que algo não está bem, mas não consegue identificar o quê, nem consegue dar nome à sensação, ao sentimento. É um pouco confuso e você tenta identificar, mas parece que as palavras que você conhece não dão conta da complexidade da emoção.
Talvez você traduza por gestos, talvez por desenhos ou poesia. Talvez você traduza fazendo algo, por exemplo, aquele dia que ''do nada'' você acorda ligada na tomada e vira a louca da faxina ou o dia em que você se perde olhando para o teto, fazendo nada. Um fazer que tenta expressar uma emoção, uma sensação, um sentimento sem nome. E isso fica mais e mais comum em mulheres depois dos 50 anos.
Identificar e dar nome traz existência plena aos sentimentos. Traz clareza e ter clareza abre as portas da realidade que te habita. Ver com clareza te ajuda a encontrar caminhos reais de solução.
Por que quando você não tem clareza, a solução são os anestésicos, as distrações e os paliativos. Tudo o que te tira a verdadeira liberdade de escolha.
Não conseguir identificar e nomear as sensações, as emoções e os sentimentos com clareza tem uma razão: Desconexão. São 3 desconexões que te afastam de quem você realmente é, do seu jeito. Vou te falar da desconexão com o corpo e logo, te conto das outras duas.
Não somos educadas para identificar nossos sentimentos e nomeá-los. Pensa numa criança pequena, 4 anos de idade, por exemplo, fazendo birra no supermercado porque a mãe disse não para a compra da batatinha. Imagina a cena. O que acontece em seguida? A mãe, constrangida, tenta fazer a criança parar a birra. Ou ela ignora a criança ou briga com ela, pode até chegar a bater na criança. Em nenhum momento ela olha nos olhos da criança para mostrar a ela que aquilo que ela está sentindo dentro de seu corpo tem um nome: frustração. E que é normal sentir frustração quando algo não sai do jeito que queremos. Fala para mim, você foi ensinada a respeito da frustração quando criança?
Esta é nossa primeira desconexão. A desconexão com o corpo. Ela começa lá na birra na gôndola do supermercado e segue acontecendo todos os dias na escola, onde pouco a pouco seu corpo vai sendo retirado da relação de aprendizagem. Repara o quanto você e eu, mulher, fomos treinadas para segurar nossas necessidades fisiológicas [sede, fome, vontade de ir ao banheiro] na escola. Quando chegamos à Universidade somos só cabeça pensante. E mesmo que uma mulher saiba o significado da palavra angústia, talvez ela não saiba exatamente quais os sinais que o corpo emite para expressar a angústia. Daí o dificuldade de identificar.
A desconexão com o corpo é mais uma entre tantas desconexões que começaram há algumas centenas de anos, quando nós homo sapiens sapiens nos desconectamos da natureza e dos seus ciclos. Não somos separadas da natureza, somos parte dela. Em um momento Histórico bem distante de hoje, apostamos na dominação da natureza - isso não é bom, nem ruim; foi como aconteceu - e isso nos trouxe até aqui com ganhos e perdas. Vida real. Dominar a natureza se colocando maior em lugar de parte, é romper com nossa própria origem.
Ao romper com a natureza silvestre - segunda desconexão -abrimos mão de um equilíbrio natural entre as forças internas e externas, uma força de cooperação. Apostamos na força externa - aquela que vem do fazer - e abrimos mão totalmente da força interna que reside no ser. As duas forças são vitais para nós quando em equilíbrio e podem ser mortais quando separadas ou em desequilíbrio. Falo sobre isso na Roda de Cura para Mulheres depois dos 40, dos 50 e dos 60 anos. Quer que eu fale mais sobre ela?
Abrimos mão de fazer parte do grande ciclo da vida. Acontece que não é possível abrir mão, por que efetivamente somos parte. O rompimento significa então, ir contra a natureza. Ir contra o fluxo da vida. E daí vem a terceira desconexão: A desconexão com os ciclos naturais. E isso tudo tem um preço. Vou te contar mais adiante e na live que farei na próxima quarta-feira, às 19hs, no Instagram.
Semana que vem te escrevo de novo.
Te espero na live.
Com Amor,
Maria Cláudia Cabral | Aika
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