Plenitude não é um lugar a chegar, é um jeito de caminhar depois dos 50 anos.
São João del Rei - MG, 16 de Maio de 2022.
Mulher,
a casa na praia, um marido amoroso, mais dois filhos saudáveis e um pet lustroso. Tudo isso pode fazer parte, mas não é sobre isso a plenitude.
Plenitude é olhar a vida como ela é e não como deveria ser ou poderia ser. A vida que acontece em seu corpo, as relações e o ambiente ao redor é como é. E quanto antes você puder olhar para isso sem véus, sem justificativas ou reclamações mais simples sua travessia na vida. Quando, de um lado, a mulher vê com clareza o desafio real diante de si, o contexto de sua existência descobre o propósito da experiência e encontra a porta de saída, a resposta, a chave para seguir sua caminhada. Se, por outro lado, ela passa suas horas e seus dias olhando para trás e repetindo como ''deveria ter sido'', o que ''deveria ter sido feito'', o que os outros [ou ela mesma] ''poderia ter escolhido'', se enreda cada minuto mais nos emaranhados no passado. Prisioneira de si mesma, presa a mágoas e frustrações e segue a estrada repetindo e repetindo o mesmo retorno e olhando o retrovisor. Não sai do lugar e o relógio de pulso [Kronos] segue seu rumo.
O ''Dever ser'' é uma terra arada e semeada hoje com o olhar voltado para adiante porque ele é o norteador na escolha das sementes ou Norte que indica a direção a seguir na jornada. O dever ser está lá na frente orientando a caminhada, a sua caminhada. E ter o Norte e escolher as sementes nem te garante a colheita, mas não te exime da espera do ciclo da semente, a única certeza é que haverá desafios e a forma como você lida com eles define - aí sim - a colheita.
Viver é um risco. Gosto da metáfora da estrada para a vida: Cheia de curvas, desfiladeiros, subidas, descidas, diferentes terrenos e climas, paisagens diversas. A viagem é arriscada e a cada encruzilhada no caminho você precisa fazer a escolha e renunciar a todas as outras possibilidades. E algumas vezes você vai estar na direção certa e outras precisará parar e pedir informações, revisar o mapa, enfrentar o inesperado e até tomar outros caminhos.
A resposta que não é padrão e por mais clichê que soe, estava certo o poeta espanhol Antonio Machado, (...) o caminho se faz ao caminhar. Essa disposição por seguir adiante, mesmo paradas e desvios, mesmo se perdendo e se encontrando, mesmo revisando o mapa e se colocando aberta ao diverso, ao novo, ao terrível e também ao incrível da estrada é o que faz a sua jornada única é o que te faz viver em plenitude. Tomar o risco de morrer um pouco todos os dias em suas certezas absolutas e crenças.
E cada morte é o nascimento de uma nova mulher por que ao final tem que morrer para renascer. A questão aqui é: Que mulher você está se tornando depois dos 50 anos? Diz a Rita Lee que nessa fase da vida ou você se torna uma perua - e luta contra o tempo, tentando desesperadamente conter seu avanço e suas marcas ou você se torna feiticeira e se torna uma aliada da Roda do Tempo.
A feiticeira é a mulher sábia que habita em todas nós e está à espera de ser vista e ouvida. Ela está lá como potência desde nossa mais tenra idade esperando seu momento de se revelar por completo. Seguir na estrada em plenitude, portanto, a jornada peregrina da feiticeira na estrada de braços dados com o tempo.
Por fim, o mais importante de uma vida em plenitude é viver kairós, o tempo vivido, é cuidar de si - dentro e fora - das relações e do ambiente ao redor.
Com Amor,
Maria Cláudia Cabral | Aika
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