Tô na estrada a 50 anos graças a ela...

 São João del Rei-MG, 03 de Maio de 2022



Mulher, esses dias acordei reflexiva. O dia das mães está chegando e são tantas as ideias sobre mãe, maternidade e mulher que preciso tomar um bocado de ar antes de te escrever esta carta. 

Eu não sei se você é mãe de filhos nascidos vivos, criados e crescidos. Ou se você é mãe de filhos que não puderam nascer. Ou talvez você não seja mãe de filhos biológicos, mas tenha assumido a função materna e mantenedora da continuidade da vida, talvez ainda não seja mãe, mas tenha muitos filhos por aí.

Como assim, você poderá perguntar. Vamos por partes, eu chego lá.


A mulher é a senhora da vida [e da morte] e ao mesmo tempo é a matriz da raça humana sobre o planeta Terra. 
Mãe é vida. Qualquer mãe, em qualquer tempo, lugar ou forma. A mulher tem a capacidade inata de gerar e gestar vida. E é ela quem decide - consciente ou inconscientemente - dar vida. Mesmo que seja considerado crime ou pecado, mesmo que haja castigo, nada pode impedir uma mulher de negar a vida, quando ela de fato não pode ou não quer levar adiante sua gestação. As estatísticas em saúde pública no Brasil mostram isso com clareza. Por isso, quando vejo uma mãe, vejo uma mulher que escolheu ser mãe. 

Escolher ser mãe é tomar o risco e pagar o preço da maternidade. É abrir mão de uma parte de si, deixar para trás alguns sonhos ou pelo menos adiá-los, é ver seu corpo se transformar irremediavelmente. É  correr o risco - inclusive de morte - ao permitir-se gestar uma nova vida. Ser mãe é pagar o preço de deixar de ser quem é para ser mãe. O novo papel desloca a mulher na sociedade, dá-lhe novos contornos, traz em si a dor e a delícia de já não ser simplesmente mulher, para se tornar também mãe. E se ser mãe é padecer no paraíso, então,  quanto padecimento para nem sempre experimentar o paraíso. 

A mãe é mãe, até quando não exerce a maternidade, por que não exercer a criação dos filhos também é escolha. E aqui vou me repetir... cada mulher sabe a dor e a delícia de ser quem é, com todas as suas circunstâncias. E a mãe que não é, mas decidiu renunciar para exercer a maternidade não exercida por outra mulher, é muito mãe; embora jamais chegue a ser a mãe. Por que? Por que mesmo que você tenha muitas mães do coração, sua mãe foi a que decidiu atravessar os desertos da alma, colocando a própria vida em risco, para que você viesse ao mundo. Se essa escolha, por mais amor que todas as outras te dediquem, você jamais estaria aqui sem ela. 

Você é a incorporação da mãe [e do pai] biológicos, verdadeira síntese deles e traz em si todas as histórias e memórias dos seus dois clãs de origem. Pensa comigo... Você jamais seria a mulher que é, com esse cabelo, esse tom de pele, os olhos, a boca e talvez até os trejeitos ao falar, não fosse por eles. Seu lugar único sobre a Terra foi garantido por eles. Por que se fosse um outro homem ou uma outra mulher, ou mesmo sendo os dois, se tivesse sido em outro momento não seria você. Faz sentido?

Há um lugar para as mães adotivas, o lugar das guardiãs da vida, por que sem elas a vida dada pela mãe biológica esteve em risco e, graças a elas seguiu. Como seguiu a vida daquelas crianças que não encontraram um lar tradicional que as acolhesse. 

A força da VIDA ninguém segura. 

O sim da mulher à maternidade é o sim à VIDA eterna, por que a mulher que escolhe ser mãe sela um pacto com a imortalidade. Cada mulher que decidiu por levar as sementes de seu clã adiante, escolheu - mesmo sem saber - por tornar-se imortal. Ela vive para sempre dentro de seus filhos, que por sua vez a levarão por meio de seus próprios filhos. Geração após geração os que vieram antes viverão por meio daqueles que vêm depois. E isso, nada tem a ver com crenças religiosas ou morais. É pura biologia básica. 

Há, é claro, outras formas de alcançar a imortalidade. Marie Curie, por exemplo, tornou-se imortal em outro campo da vida. Sua história, sua obra e sua contribuição para a ciência seguem vivas. Mas este é outro assunto, que trataremos esta semana no meu Instagram. E ainda veremos muitas vezes por aqui. Tendo ou não deixado filhos biológicos, a força de conceber, gestar e criar vida está em nós mesmo depois dos 40 anos, 50 anos ou mais. 

Meus pensamentos giram em torno das minhas raízes, da vida que chegou até mim, por onde passou. Penso sobre minha mãe e o preço que ela pagou para que eu esteja onde estou e como minha gratidão a ela tem se expressado no mundo e enquanto penso sobre isso, eu te pergunto:

Como você expressa a gratidão pela VIDA recebida na sua própria vida?

Deixa seu comentário se esse texto faz sentido para você. 

Com Amor,

Maria Cláudia Cabral | Aika

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Comentários

  1. Há um lugar para as mães adotivas, o lugar das guardiãs da vida, por que sem elas a vida dada pela mãe biológica esteve em risco e, graças a elas seguiu. Como seguiu a vida daquelas crianças que não encontraram um lar tradicional que as acolhesse.......Este parágrafo.....me emocionou....fala muito sobre mim...

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    1. Sinta-se abraçada, Maria Lúcia. Eu respeito o destino daquelas crianças que tiveram outros desafios e possibilidades. É tocante e ao mesmo tempo, há tanto aprendizado, não é mesmo? Algumas habilidades só desenvolvemos quando nos falta o suporte. Tudo faz parte, ao final.

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  2. Há com H, por favor. Há quatro anos é o verbo haver. Se for daqui a quatro anos é com a preposição "a". Tá ligada?

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    1. Obrigada pela observação. Às vezes passa uma coisa ou outra. Quando era controladora, morria com isso. Depois de ler a autobiografia de Garcia Marquez - um de meus autores prediletos - fiquei bem mais leve com meus erros. Ainda assim, obrigada. Pessoas como você me ajudam a me manter leve. ;-) Correção feita! :-)

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